quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Mainha me ensinou [S.T.S.R]

 eu nunca fui uma pessoa fácil, nem como adulto e muito menos quando criança. Mas Mãe, em um dia nada especial, eu olhei para o Sol, pensei em coisas, lugares e pessoas que amei e de todos os rostos que vi, você foi o que esteve sempre ao meu lado, nesse vislumbre, percebi a força que temos quando estamos juntos, o mundo pode vir com tudo e nos derrubar, nós continuaremos tentando, nós continuaremos voando, com uma criatura como você ao meu lado eu vencerei exércitos e suportarei toda a dor. Através de toda a mentira e caos do mundo você tem sido a verdade e inspiração, pois como você diz, eu sempre fui diferente, nunca me senti um ser humano comum e parte disso é culpa sua, pois eu não sou um ser humano comum por ter você como mãe, isso por si só já me torna especial, ser seu filho.” [Do meu texto “Mãe”.] 



Hoje eu queria aproveitar pra falar uma pouquinho sobre a minha mãe. Mas vou contar uma história. 

“A história é atribuída a antropóloga lésbica norte-americana Margaret Mead (1901-1978), que integrou a corrente teórica da Escola Americana relacionada aos comportamentos e aos padrões culturais.

Indagada por um aluno sobre o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização do ser humano, Margaret respondeu de forma diferente da esperada. Não disse que anzóis, panelas de barro, pedras de amolar ou outros utensílios foram os primeiros sinais de civilização, mas sim um fêmur (osso da coxa) quebrado e cicatrizado.

Mead explicou que, no reino animal, se você quebra a perna, você morre. Você não pode correr do perigo, ir até o rio beber água ou caçar comida. Você é carne fresca para os predadores. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso sarar.

Um fêmur quebrado que cicatrizou, acrescenta, é evidência de que alguém dispensou tempo para ficar com aquele que caiu, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou dela até que se recuperasse. Ajudar alguém durante a dificuldade é onde a civilização começa, finaliza a antropóloga. Esse é, também, o princípio do cristianismo: fazermos para as outras pessoas, o que gostaríamos que nos fizessem, assim como advertiu Jesus: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não existe qualquer outro mandamento maior do que estes’ – Marcos 12:31 ¹

E minha mãe me ensinou sobre gente. No dia a dia, sobre gente que ama, gente que sonha, gente que vive num mundo tão belo, gente que faz amizade por causa do jardim que você tem e pra pedir mudinhas de plantas. Minha mãe é dessas que anda com uma tesourinha na bolsa pra pegar mudinhas na rua. [Como não amar essa mulher?]. Ela não planta em vão, só porque as plantas são belas ou dão flores, ela ensina a qualquer um que um jardim bem cuidado proporciona felicidades, de ter um chá pra curar azia, dor de cabeça, friagem e acho que durante a minha adolescência ela me fez uns chás de curar feridas de amor. Minha mãe me explicou porque tem gente que não sabe amar e como temos que reagir a elas, que um jardim bem cuidado, repleto de amor e tempo, uns adubo, umas tarde sentado ao Sol, que o pé na terra manda pro mundo as energias que a gente não quer e transforma tudo. Minha mãe me ensinou a olhar a natureza e me espantar com sua beleza, também me ensinou que chorando a gente a gente se refaz, que todo jardim precisa de umas regas dessas, que cada pessoa tem seu tempo, assim como as plantas. Tudo precisa de amor e agua é vida. Minha mãe me ensinou sobre gente que mesmo com pouco cuida do que tem e divide quando sobra, da fruta que a arvore dá ao “bom dia” ao cobrador. Minha mãe me ensinou que comida é sagrada, que a gente tem que observar o que entra no nosso templo/corpo e verificar o que causa. Sabe quando falam que o mundo perdeu muitas pesquisadoras fantásticas que acabaram cuidando do lar? Minha mãe ouvia e cantava em italiano algumas musicas, elas sentava, ouvia, lia junto em italiano sem nunca ter feito curso de italiano, procurava a tradução [sem internet] e aprendia.
Ela também me ensinou a estudar, E EU SOU DISLEXO. Minha mãe me ensinou sobre musica, mas mais importante ainda, ela me ensinou que até as arvores dançam ao vento, com o batucar da chuva, com a força do ar e com cheiro de terra se espalhando, logo a gente não devia ter vergonha nenhuma de dançar. Minha mãe me  ensinou que isso também é sagrado, que se existe um Deus ele está presente não só em cada folha de arvore que cai, mas dentro de toda a gente. Que ser humano faz parte da natureza e que essa energia chamada felicidade só é completa se dividida. Me ensinou que conversar é bom, que silencio é bom, que gritar é bom e que amar é um jeito de sempre estar certo. A deusa Atenas da Grécia, era a deusa da Sabedoria em batalha, ela com toda a simbologia da sabedoria da época não tinha filhos, porque ser mãe ia requerer dela total atenção. Eu acho a palavra mãe grandiosa justamente pela mãe maravilhosa que eu tive. Eu acho que não teria palavra forte o suficiente em alemão pra expressar a força que minha mãe tem, ela me ensinou a me amar e a amar todos aqueles que são diferentes de mim, as vezes minha mãe até recorria as palavras de Deus, músicos, poetas, professores, astrólogas, benzedeiras, psiquiatra pra tentar entender a criança doida que eu era e de tudo que ela podia me ensinar ela sempre me ensinou que o abraço é o remédio do coração e que “Amor” é a forma certa de agir. E eu depois que cresci com o exemplo da determinação dela, questionei até os deuses e suas existências em meu livros, estudos, musicas, eu que precisa de tempo, eu que precisa aprender ela esta sempre ali, disposta a amar, se há um deus Amor ele há de ser Mãe. Não tem qualidades, palavras, que eu possa tentar atribuir pra falar sobre o orgulho, o privilégio, a benção, ou pra falar sobre o quanto ela é uma existência maravilhosa, apesar de todas as encrencas, não há língua que tenha inventado elogio que caiba, só me resta dizer
PARABENS!


*¹ https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/empatia-esperanca-e-fe-o-que-podemos-aprender-com-a-crise-do-coronavirus/

sábado, 4 de julho de 2020

Um tijolo. [Na construção do que?]


Vou começar falando como as coisas são estranhas num geral, então pode parecer que eu estou falando sobre alguma coisa, mas eu devo estar fazendo uma metáfora. 

Tem uns crushs sabe? Quando a gente não sabe definir muito bem se a outra pessoa é um rolo bom, uma pessoa que você ainda não percebeu que está insistindo mas não deveria. Por qualquer razão que seja. Nem que sejam só umas paranoias da sua cabeça. Um crush, alguém que a gente não sabe dizer muito bem o que é nem se é alguma coisa de fato, então explicar como um crush pode ser é inútil, cada crush de alguém é a confusão de alguém, logo crush não se compara. Cada caso um caso.

Se eu e o crush vamos dar certo, se você que está lendo e seu crush vão dar certo, ou se seu ultimo crush deixou de existir, porque passou a ser outra coisa, mais presente,mais distante. Física ou emocionalmente crush são sempre temporários. Se a gente vai dar certo, se a gente não vai dar certo no futuro, o negócio é o seguinte. Eu imagino umas coisas românticas que às vezes não tem romantismo, e outra pessoa não tem nada a ver com as coisas que eu imagino. Me acontecem uns sentimentos às vezes. Esse crush é uma pessoa que me causa um sentimento que eu gosto muito.  Se está certo o que ele faz com o que eu faço pra demonstrar, como ele recebe as informações de mim que dou a ele, são da cabeça dele e não da minha. Então o crush causa uns sentimentos às vezes e eu que me deixo inspirar pelo que sinto  e geralmente escrevo, tem gente que faz a gente se sentir melhor as vezes. E pessoas num geral são complicadas, imagina as pessoas que a gente chama de crush. Como a gente não sabe muito bem o que é, o crush causa euforia e decepção. Às vezes eu tenho que lembrar que eu estou decepcionado com as expectativas que eu crio e não com a outra pessoa. A expectativa que eu crio, com uma musica que ouço, com uma poesia que eu leio, com uma citação de serie, com um meme no Facebook ou uma figurinha safada que eu guardo pra usar com o crush depois, são expectativas que eu estou criando. E são momentos gostosos PRA CARALHO. Sabe aquela musica que começa quando você está no banho, e ela te lembra alguém, e você sai do banho decidido a mandar um: “Já ouviu essa musica?”, “Como você está?” ou puxar um assunto aleatório...  Eu gosto de musicas que me lembram pessoas, que me lembram lugares, que me lembram conversas, que me lembram momentos, que me faz ter uns pensamentos bons e uns sentimentos gostosos. Eu acho inclusive que musica serve pra isso. E eu como pisciano confesso que já ouvi musicas mais duradouras que alguns crushs que eu tive. E tudo bem não dar certo as vezes. A gente não pode é deixar de cuidar da gente e lembrar que as expectativas se tornando ou não realidade são gostosas por si mesmas. E tem que se lembrar de NÃO ser um stalker obsessivo. Ninguém está no mundo pra suprir as expectativas dos outros. 

Tem dias que eu vou ficar decepcionado porque o crush não atendeu a minha expectativa, e não respondeu minha mensagem, ou cagou pra musica que eu mandei. Tem dias que eu vou ficar decepcionado comigo mesmo, por ter ou não ter um crush, pra atender ou não minhas expectativas que eu posso ou não ter sobre ele. Tem dias que a conversa com o crush vai seu uma das coisas que mais me fez sorrir no dia. Por mais que não tenha sido um conversa profunda, ou umas esquisitices pessoais que a gente tem em comum,. Pode ser uma foto de  uma borboleta que eu vi e mandei pro crush que adora borboletas. Imagina você que gosta de borboleta [coloque o exemplo que quiser] receber uma foto de uma borboleta, assim do nada! Eu olho pra esses momentos como bobos, mas eu desejo a todas as pessoas que elas tenham tipos de relacionamentos que causem sentimentos onde o encontro com a realidade seja agradável, gostoso, inspirador. Que dure uma musica, um poema, uma vida. Se a gente não se apegar aos momentos de felicidade que a gente tem, a gente tem o que a oferecer ao crush? Que tipo de relacionamento a gente pode criar se a gente tentar fazer ser proveitoso pro outro a experiência como ela é pra gente? Então tento eu ser o crush que eu gostaria de ter, pra talvez deixar de ser crush, ou continuar essa confusão gostosa de partilha de momentos bons. Até semente que não brota uma hora vira nutriente pra terra. A gente que lute por um mundo melhor. Em cada momento que a gente lembrar e conseguir fazer algo bom pra gente e pro outro, mostrando que a gente se importa, nem precisa ser crush é que a gente complica uma coisas... 

























[Este texto por exemplo é um jeito estranho de dizer parabéns]

domingo, 10 de maio de 2020

Como é que a gente se une? [Se não agora, quando?]


Tem sempre aquele final de ficar tudo bonitinho e as partes ruins se tornarem apenas lembranças. Estamos agora naquele momento onde alguma coisa acontece
pra melhorar. Afinal se não melhorou ainda é porque não acabou. Mesmo com uma pandemia mundial e uma crise política e econômica aqui no Brasil alguma coisa parece que está pra acontecer. Afinal as notícias são muitas. Os assuntos são recorrentes nas poucas páginas de jornal que eu sigo nas redes sociais, algumas pessoas evitam a TV apenas pra manter a saúde mental e algumas pessoas estão informando medidas que estão sendo tomadas ou até denunciando coisas que me levam a pensar que alguém está fazendo alguma coisa, mesmo referente a memes um pensamento tem feito com que eu me sinta pertencente a uma classe que em algum momento está unida pelo pensamento: PRESIDENTE FILHO DA PUTA.

Uns pensamentos constantes que parecem nos unir é graças ao vírus que é realmente importante, afinal todas as pessoas estão em risco incluindo as que eu moro e as que tenho contato social, mesmo que tenha diminuído muito desigualmente o convívio, o pensamento sobre o vírus, pegar o vírus, pessoas próximas pegarem o vírus, gente morrendo e gente continuar morrendo tem sido recorrente também, e quem poderia fazer alguma coisa? Por mais que eu não entenda muito de política, parece que o presidente seria alguém a fazer algo nesse momento, se não ele quem? Já que ficar em casa só não é o suficiente pra resolver todos os problemas, quem pode e está fazendo alguma coisa? Quem poderia? Não estamos unidos apenas pelo ódio, estamos unidos pela preocupação com a vida da nossa população. Nem que eu tenha que concordar com o Dória se for ele a fazer algo benéfico, ou com o prefeito da minha cidade que está fazendo o pessoal usar mascara pelo menos, eu tenho que concordar com alguém nesse momento, porque não é possível que ninguém esteja fazendo nada.

Inclusive se estamos falando sobre Covid-19 e estamos preocupados com a vida, temos primeiro que admitir que talvez: foda-se a economia em primeiro plano,temos que nos preocupar em conter o vírus, alguém tem que fazer alguma coisa, nem que seja um lock down. E eu não gosto da ideia do lock down e um vice presidente militar com um impeachment sendo colocado em pauta. Parece que agora seja uma boa ideia um isolamento com uma maior fiscalia de necessidades. Mas quem é que vai fazer? Quem está fazendo? Quem fala sobre isso?

A Marina Silva parece uma pessoa de uma conduta moral idônea e eu acho o Suplicy um fofo mesmo sendo do PT.  Não estou falando sobre votos ou se eu gosto ou não desses políticos, mas são por exemplo duas pessoas que podem se manifestar politicamente e propor algumas soluções diferentes ou coesas com o que eu penso. Indo por essa linha a própria Anita contestando a Regina Duarte pode ser alguma forma de pressionar alguém a fazer algo. E eu nunca achei que citaria o Felipe Neto mas: “Acabou passada de pano, influenciador que não se manifesta agora é cúmplice.”. Eu sei que a partir daqui eu falo com um público específico que tem alguns privilégios como a quarentena em casa, internet, mídias sociais e um pouco de tempo pra se informar. E essa geração foi inclusive um das xingou muito no Twitter, saiu do Facebook pra mostrar como se faz e assinou um monte de petição online. Eu não sei muito bem o que aconteceu com a galera de Junho de 2013, se eles acham que já fizeram a sua parte e ponto ou se decepcionaram quando encontraram a dura realidade de que falar de política é discutir o tempo todo como ela deveria ser feita. Ai temos os militantes descansando e gente que está se manifestando de forma inadequada apenas sendo cancelada e não ensinada, educada politicamente dando-lhe a chance de repensar o assunto recebendo argumentos diversos. E tem muita gente falando sobre muita coisa nesse momento, porque é justamente nos momentos de crise que as mudanças ocorrem. Temos esse tempo pra nos educarmos e de nos manifestarmos, afinal muita coisa está acontecendo e parece que na frase: “ALGUÉM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA” esse alguém nunca sou eu. E se não for pra me manifestar de alguma forma que seja pra me informar melhor sobre algumas coisas pertinentes. O mundo não será o mesmo pós pandemia, mas o mundo não ser o mesmo não é uma novidade, o mundo muda todo dia e não é possível que eu esteja sendo só a espera dele melhorar.

Eu tenho me visto com alguns vídeos divertidíssimos da Rita Von Hunty que são didáticos, com referências engrandecedoras falando sobre sociologia, fazendo citações a obras de literatura e ela parece disposta a fazer algo melhor, alguns vídeos dela tem menos de 10 minutos e é de uma genialidade todo o conteúdo criado ali por ela e suas mulheres fodas. Eu gosto da linha de humor e o Gregório Duvivier por meio do Greg News tem colocado um posição política que me faz parar por quase uma hora pra prestar atenção e querer me informar mais sobre alguns assuntos. Claro que não tem sido só pelo Youtube que eu tenho me informado, mas as redes sociais estão cheias de informações, interpretações, memes e eu acho que agora é hora de compartilhar conteúdo, seja por uma notícia de jornal, uma opinião do Twitter que eu concordei ou uma tirinha que me fez rir. Acho que agora, que eu estou com medo do vírus, que não sei o que será da economia e não sei muito bem quem é que pode fazer alguma coisa que eu tenho que me posicionar sobre algo, na esperança de que alguém vai se apegar a essa ideia e talvez assim a gente entenda o significado de comunidade ou que a voz de todo mundo é importante nesse debate.

Eu vou colocar alguns links de alguns canais no youtube que eu tenho assistido na esperança de quem mais alguém, pense sobre o assunto, conteste o assunto, se manifeste sobre ele, independentes de quantas pessoas forem porque esse vai ser meu jeito de fazer algo, o seu pode ser compartilhar alguns dos conteúdos daqui de baixo que são todos muito melhores que a minha opinião, mas coloco o Escrivinhando aberto a todos que quiserem conversar ou compartilhar conteúdo mesmo que só nas redes sociais em tempos de quarentena. Mesmo que seja esse texto pra fazer mais algumas pessoas terem essas referências. [Clicando na imagem você vai pra página do canal]

Tempero Drag com Rita Von Hunty



Greg News com Gregório Duvivier



Casa do Saber – O centro de debates e disseminação de conhecimento de São Paulo e Rio de Janeiro. Maria Fernanda Cândido apresenta os professores em vídeos para endossar suas ideias e questionar suas certezas, ciência, cinema, artes, filosofia, história, religião, psicologia. Pensadores famosos, que agora você pode assistir quando e onde quiser.




Monja Coen
Conteúdo que inspira e mobiliza mudanças. Abraçam a luz e a sombra das principais questões humanas e sociais, e compartilham a beleza da vida e as ferramentas necessárias para que cada indivíduo responda suas próprias questões, encontre suas próprias perguntas e então transforme a si mesmo e o coletivo.

Plano piloto com Davi Godoy.
Falar sobre política não precisa ser chato e ele prova isso no canal.


Jones Manuel - Historiador, professor, educador popular, Youtuber, Podcaster (Revolushow) e militante do PCB.



Estúdio Fluxo –  Um projeto de jornalismo independente dirigido por Bruno Tortura.
Canas de entrevistas, streamings, reportagens, clips. Política, meio ambiente, drogas, cidade, cultura – vida real
 


TV Boitempo

O canal abriga uma grande variedade de formatos de vídeos, desde colunistas fixos, WebCursos e entrevistas, séries temáticas com os autores e até gravações de debates, palestras e eventos promovidos pela editora.


Teze Onze com Sabrina Fernandes
É um canal focado em debater o senso comum, trazer pontos sobre sociologia e politica, e acumular bagagem para transformar o mundo. Apesar do conteúdo ser embasado em pesquisa, não se trata de um canal preparatório de conteúdo educacional, mas informação e formação política.





Bem Vivendo com Thiago Ávila
Um espaço criado para auxiliar na transformação do mundo em um lugar mais justo, mais igualitário, em harmonia entre humanidade e natureza e com o Bem Viver para todos e todas.

domingo, 12 de abril de 2020

A Promessa Mais Importante [O que Pretendemos Cumprir]



Uma vez numa conversa qualquer eu mandei a música I’ll Stand By You – The Pretenders para alguém.  Eu gosto particularmente dessa música porque ela vai de encontro a muita coisa que eu penso. Eu acho que tem promessas que as pessoas fazem que não sabem ao certo a consequência de fazê-las. Podem me julgar mas eu não acredito muito quando falam “pra sempre”. “Eu vou te amar pra sempre” quando me deparo com essa frase eu penso na quantidade de coisas que podem acontecer num pra sempre e se a pessoa está pensando na fidelidade daquilo que ela está prometendo. Eu penso no amor como uma das forças mais potentes do universo e acredito que ele seria em si a solução de tudo. E acho que ele é tão potente justamente pelas transformações que ele causa e as transformações dele mesmo. Em filmes ou livros o amor de início é diferente de amor do meio, que é um amor diferente no fim da história.  Nós nunca sabemos qual será o fim da nossa história, nem quando é o meio e já confundimos paixões e desejos com amor.

A canção é alguém falando com outra pessoa, dizendo:

Por que você está tão triste?
Com lágrimas nos olhos
Venha ficar comigo agora
Não tenha vergonha de chorar
Deixe eu ver você por dentro
Pois já vi o lado negro também
Quando a noite cair sobre você
E você não souber o que fazer
Nada que você confesse
Pode fazer com que eu te ame menos”

Meu jeito de amar não precisa ser o mesmo que o de mais ninguém, mas pra mim esse jeito cai muito bem, eu gosto de reparar nas pessoas que eu amo, ver as mudanças, saber o que está acontecendo, eu não ligo se elas estão tristes, felizes, bêbadas, desabafando, elevando seu ego... tanto faz. Porque se eu amo alguém, eu amo aquilo que a pessoa é, sabendo que nada no mundo é fixo ou permanente, tenho que olhar pro outro e lembrar que ele está sendo ele e que isso muda, assim como eu o estou amando no presente e ele acaba. A forma que o amor encontra pra permanecer é mudar constantemente. Quando passo a conhecer uma parte da outra pessoa que não conhecia ainda, o que se supõe é que eu amaria essa nova parte. Não é sempre assim. Muitas vezes encontro naqueles que amo coisas que eu não tolero, mas geralmente elas são passageiras, e a gente uma hora conversa sobre isso porque esse é assunto pra outro texto. O que me pega nessa música é que o sujeito está disposto a amar, ele repara, pergunta, demonstra empatia sobre os momentos tristes e diz: “Nada que você confesse, Pode fazer com que eu te ame menos”. Essa também é uma promessa muito difícil de se cumprir se você não estiver disposto a amar aquilo que a pessoa é e respeitar como ela está.

 A melhor forma de me amar foi me dar a definição de louca, assim eu entendo que as vezes eu não vou fazer as coisas como a maioria das pessoas fariam, ou me perdoar quando eu descobri que não sigo uma linha de raciocínio normal, o Chapeleiro uma vez me disse que as melhores pessoas são loucas. Eu amo a louca que habita em mim e se outra pessoa quiser me amar, vai ter que conviver com essa louca paranoica. Afinal ela é parte do que eu sou. Mas não basta ser louca e me amar, eu sinto que tenho muito amor pra dar, as pessoas também são muito loucas, algumas amam de umas formas complicadas e algumas nem sabem amar ainda, eu mesmo não defini minha forma de amar como a perfeita, acho que tem outras muitos plausíveis, afinal cada qual com o amor que lhe cabe, por isso ele é pra todo mundo. Por isso ele é tão importante. É que se eu pudesse eu resolveria todos os problemas das pessoas eu amo, se eu pudesse eu realmente protegeria elas dos pensamentos cruéis que elas tem delas mesmas, se eu pudesse estar a todos os momentos ajudando a fazer dessa vida um lugar melhor, eu faria. Mas eu não posso, pra que a outra pessoa seja ela mesma há a necessidade de um espaço, pra que eu não interfira, o amor também está na admiração. E eu posso te amar, até mesmo quando você não está vendo o quanto de amor você merece, mas é preciso que você seja quem você é pra que eu te ame. Ou apenas estarei amando a ideia que construí de você. Por isso o amor leva tempo, não se conhece alguém do dia pra noite. Não se pode prever tudo, e temos que lembrar que a outra pessoa tem um universo inteiro dela mesma pra desvendar. Mas há de ter interesse, vontade, e disposição, eu acho que a promessa “Eu estou aqui” é muitas vezes melhor do que um “eu te amo pra sempre”.

Isso me leva a reflexão de quem quiser ficar que fique, amar não é fácil, mas não é pra ser doloroso, a gente pode entender os amigos, passar pano pra crush, aceitar que aquela é uma maneira diferente das pessoas amarem e recusá-la caso ela não for o suficiente. Às vezes é mais fácil amar o próximo quando ele está longe. Mas eu gosto da música que citei, porque ela fala sobre amor em um momento vulnerável. Sabe quando tu está na merda e tem as pessoas certas pra falar? Ou um abraço importante que não precisa de diálogos, ou um colo pra deitar sem dar satisfações, sem medo de ser julgado e nem a necessidade de ser entendido. Eu acho que ai o amor se manifesta em uma das melhores faces. 

Eu tenho uns momentos que nem eu mesmo quero estar comigo, que posso ceder aos pensamentos cruéis, que posso fazer confusão e não entender direito o que se passou. E se nem eu mesmo estou me amando nesses momentos, tudo o que eu preciso é que algo me lembre que tudo bem não estar tudo bem sempre. Nem que seja alguém pra “estar ali” da forma que for. Porque amar pode ser uma conversa de horas e horas e horas, pode ser o êxtase transcendental do gozo, pode ser todas as minhas palavras e a incerteza de você compreende-las. Mas tem que haver desejo de estar junto, ou disposto a compartilhar também os momentos incertos. Eu amo aquilo que desejo, eu amo enquanto desejo, amo na intensidade que desejo e te amo nas probabilidades de você ser o que eu amo. Se você não for aquilo que eu pensei que era, e se meu amor não couber ali, ou não for o suficiente, mesmo assim não te torna menos digno de amor. Estou aqui caso você precise ou queira, é uma promessa que posso fazer. Diga que ama, mas lembra: amar não é dizer. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

#MeFazPensar [Texto da Quarentena]


Vamos falar a verdade, olha nossos memes passados, tudo o que a gente queria era um tempo indeterminado em casa. O que a gente queria fazer com esse tempo que diz um pouco sobre o que a gente acredita. Porque então esse desespero? Por que a gente está incomodado em casa? Talvez por que a gente sinta falta de interação, afinal somos seres sociáveis como diria Aristóteles antes mesmo da sociedade ser uma sombra do que é hoje. O que é legal é que, aqueles mais privilegiados que puderam ter um espaço para a quarentena podem lutar nesse tempo que conseguiram pra que aqueles que não tiveram esse direito de tê-lo também.

A gente sente falta de ser produtivo, fomos criados sobre uma perspectiva de que devemos estar sempre consumindo ou produzindo. Agora a gente sente que tem tempo pra produzir de forma introspectiva, intelectual e artística de uma forma mais amorosa, mais humana e menos robótica como nossos trabalhos tem sido. A gente não está sentindo falta do trabalho, estamos sentindo falta daquilo que a gente gosta de fazer. De ser ouvido, de conversar com amigos, de amar. A gente está com tempo de fazer essas coisas e sente vontade de um monte de coisas, mas estamos isolados, a realidade bate a porta e devemos levar isso a sério. Fique em casa se puder, se ficar seja empático àqueles que não podem.

O que a gente tem que aproveitar pra fazer então? Consumir e multiplicar conteúdo que vale a pena ser visto, afinal agora é hora dos “vagabundos” se mostrarem. Isso pode ajudar a pensar aquele que não sabe estar na rotina de cuidar de casa, de curtir os filhos, de pensar no outros e em si mesmo e dar valor a luta de alguns. E como é que o Escrivinhando pensou em tentar criar uma corrente onde a gente não fique só debatendo em vão sobre o quanto quem tem que trabalhar agora são os caras que a gente colocou pra trabalhar pra gente? [deputados, vereadores, presidente...] Como é que nesse momento eu posso ajudar a criar uma consciência coletiva e utópica de que a gente se ama e que cada vida importa? Abrir espaço e criar uma interação entre aqueles que estão preocupados me pareceu uma boa ideia.

A proposta é colocar uma música de um artista brasileiro que te faz pensar na nossa política, em algo que te faz refletir sobre consciência de classe, feminismo, racismo estrutural ou qualquer uma dessas pautas que você acha importante. Ai colocar #EscrivinhandoMeFazPensar , assim a gente pode pesquisar pela # e a gente meio que fica conectado pelas ideias, ouve umas coisas novas, conhece uns artistas novos e consome conteúdo com informação importante. E ai? Como você vai participar? Que artista brasileiro, qual música te faz pensar? O que seria bom as pessoas ouvirem pra pensar no nosso momento político atual?

o Blog pretende começar com a indicação da música “Cota não é esmola” da Bia Ferreira. Porque como ela mesma já disse em entrevista: “ou você entende essa letra ou você assume que é racista.”



“Existe muita coisa que não te disseram na escola
Cota não é esmola
Experimenta nascer preto na favela, pra você ver
O que rola com preto e pobre não aparece na TV
Opressão, humilhação, preconceito
A gente sabe como termina quando começa desse jeito
Desde pequena fazendo o corre pra ajudar os pais
Cuida de criança, limpa a casa, outras coisas mais
Deu meio-dia, toma banho, vai pra escola a pé
Não tem dinheiro pro busão
Sua mãe usou mais cedo pra poder comprar o pão
E já que ela tá cansada quer carona no busão
Mas como é preta e pobre, o motorista grita: Não!
E essa é só a primeira porta que se fecha
Não tem busão, já tá cansada, mas se apressa
Chega na escola, outro portão se fecha
Você demorou, não vai entrar na aula de história
Espera, senta aí, já já da uma hora
Espera mais um pouco e entra na segunda aula
E vê se não se atrasa de novo, a diretora fala
Chega na sala, agora o sono vai batendo
E ela não vai dormir, devagarinho vai aprendendo que
Se a passagem é três e oitenta, e você tem três na mão
Ela interrompe a professora e diz: Então não vai ter pão
E os amigos que riem dela todo dia
Riem mais e a humilham mais, o que você faria?
Ela cansou da humilhação e não quer mais escola
E no natal ela chorou, porque não ganhou uma bola
O tempo foi passando e ela foi crescendo
Agora lá na rua ela é a preta do suvaco fedorento
Que alisa o cabelo pra se sentir aceita
Mas não adianta nada, todo mundo a rejeita
Agora ela cresceu, quer muito estudar
Termina a escola, a apostila, ainda tem vestibular
E a boca seca, seca, nem um cuspe
Vai pagar a faculdade, porque preto e pobre não vai pra USP
Foi o que disse a professora que ensinava lá na escola
Que todos são iguais e que cota é esmola


Cansada de esmolas e sem o dim da faculdade
Ela ainda acorda cedo e limpa três apartamentos no centro da cidade
Experimenta nascer preto, pobre na comunidade
Cê vai ver como são diferentes as oportunidades

E nem venha me dizer que isso é vitimismo
Não bota a culpa em mim pra encobrir o seu racismo
E nem venha me dizer que isso é vitimi
Que isso é vitimi
Que isso é vitimismo

E nem venha me dizer que isso é vitimismo
Não bota a culpa em mim pra encobrir o seu racismo
E nem venha me dizer que isso é vitimi
Que isso é vitimi
Que isso é vitimismo

São nações escravizadas
E culturas assassinadas
A voz que ecoa no tambor

Chega junto, e venha cá
Você também pode lutar
E aprender a respeitar
Porque o povo preto veio para revolucionar

Não deixem calar a nossa voz não!
Não deixem calar a nossa voz não!
Não deixem calar a nossa voz não!
Re-vo-lu-ção

Não deixe calar a nossa voz não!
Não deixe calar a nossa voz não!
Não deixe calar a nossa voz não!
Re-vo-lu-ção
Nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai
Nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai

Nascem milhares (MARIELLE FRANCO e ANDRSON, PRESENTES)
Dos nossos
Nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai
E é peito aberto, espadachim do gueto, nigga samurai!
É peito aberto, espadachim do gueto, nigga
Peito aberto, espadachim do gueto, nigga
Peito aberto, espadachim do gueto, nigga
Peito aberto, espadachim do gueto, nigga samurai!
(Peito aberto, espadachim) É peito aberto, espadachim do gueto, nigga
(Peito aberto, espadachim) É peito aberto, espadachim do gueto, nigga
É peito aberto, espadachim do gueto, nigga
É peito aberto, espadachim do gueto, nigga samurai!

Vamo pro canto onde o relógio para
E no silêncio o coração dispara
Vamo reinar igual Zumbi e Dandara
Ô Dara, ô Dara
Vamo pro canto onde o relógio para
No silêncio o coração dispara
Ô Dara, ô Dara

Experimenta nascer preto, pobre na comunidade
Cê vai ver como são diferentes as oportunidades
E nem venha me dizer que isso é vitimismo hein
Não bota a culpa em mim pra encobrir o seu racismo
Existe muita coisa que não te disseram na escola
Eu disse, cota não é esmola
Cota não é esmola
Eu disse, cota não é esmola
Cota não é esmola
Cota não é esmola
Cota não é esmola
Eu disse, cota não é esmola
Cota não é esmola
Cota não é esmola
Cota não é esmola

São nações escravizadas
E culturas assassinadas
É a voz que ecoa do tambor
Chega junto, e venha cá
Você também pode lutar
E aprender a respeitar
Porque o povo preto veio re-vo-lu-cio-nar”

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A Melhor Forma de Ferir Quem Te Ama. [É não se amar].




Hoje em dia eu sou daqueles que quando sofrem o fazem com intensidade. Estava pensando dia desses na possibilidade de me apaixonar. Sabe quando, sei lá, alguém causa uns trocinhos em você que parecem ser muito bons. Ai se tu não fica esperto logo já está vendo a pessoa em todos os cantos, com vontade de falar mais com ela, mesmo que tenham trocado áudios e mensagens durante todo o dia, quando você começa a se interessar mais por coisas que pareciam até interessantes, mas parecem que agora que ele falou parecem mais interessantes ainda, talvez por ser a possibilidade de estar mais com ele. Se você não estiver atento, essas coisinhas pequenas, esses trocinhos se desenvolvem a ponto de nem a velhice e nem a morte destruir.

Seria injusto me apaixonar no momento que estou. Há muito amor em mim por mim. Mas se for pra me apaixonar eu topo, eu me apaixono por amigos que mandam uma música que ouviram e acharam bonita e queriam compartilhar. Pra mim já é muito fofo e uma declaração de amor você ouvir uma música e mandar pra alguém. Tem coisa melhor que música? [Tem, claro que tem. Mas é uma das coisas mais importantes]. Repare só, poucas coisas conseguem unir a humanidade tão bem quanto a música, você pode não entender a língua cantada muito bem, as vezes nem um pouco e mesmo assim sentir coisas. Essas coisas podem ser agradáveis ou não, mas mesmo sem entender muito bem a música passa uma intenção. E une a humanidade de uma forma muito bonita. Não é preciso saber inglês pra gostar de Stay da Rihanna por exemplo. A gente não consegue achar um conceito para belo, mas consegue admirar a música. Logo, me apaixonar é o que eu tento fazer a cada instante único que a vida me possibilita. Porque eu tenho aqui na minha cabeça, o desejo infantil de uma humanidade realmente unida e creio cegamente que amor é a resposta pra nós. Mas o que sei sobre me apaixonar hoje em dia é que sempre deve ser feito com responsabilidade. O outro não deve ser de forma alguma um amparo, a única coisa que deve te sustentar emocionalmente é você mesmo. Tudo aquilo que você é e todas as coisas que já passou e todas as pessoas que conheceu e as lições que vieram do passado. Reconhecer que o passado passou e que a maior dor é sempre a que a gente está sentindo agora. Porque se formos falar sobre tempo, temos que admitir que existe passado, existe presente [e não tem esse nome a toa] e não há garantia alguma para a existência do futuro. Podemos morrer no meio de um texto que estamos lendo.

 [CALMA, SOBREVIVEMOS! ESPERO].

Se a gente resolve se apaixonar tem que pensar no impacto que pode causar agora. E eu sei pelo que já passei que tenho uma capacidade de ferir tudo que amo. E meio que todo mundo tem, a gente tem que estar atento como eu já disse. Primeiro que a pessoa tem que ser um alento na vida turbulenta e não um fardo que custe o psicológico e o emocional por uns bons beijos na boca. Não tem foda no mundo que vale a possibilidade de se magoar. Eu acho que é um ego enorme o que eu tenho, que me tira toda a humildade e me faz olhar pra mim como uma pessoa que merece ser amada o tempo todo. Por mim mesma e pelos outros. Quando não sou amado pelos outros, raramente ligo, porque o carinho que eu olho pra mim já me basta. Então eu acho que qualquer pessoa que passar por mim merece ser amada, não da mesma forma, mas com a mesma intensidade que eu me amo. Me esforço, e erro, e as vezes me distraio. Mas cá pra nós eu acho que é uma visão muito bonita dessa realidade. Pra mim não basta sentir só, eu acho que tenho que passar adiante esse amor. Todas as vezes que me lembro que tem pessoas que simplesmente não se olham dessa forma eu tento passar essa mensagem. É difícil, eu tento entender as dores no caminho, eu reparo na escolha de palavras, eu tento observar e absorver seus tipos de arte. Eu acho que seria injusto me apaixonar, porque tem que estar muito bem consigo mesmo pra ser reciproco.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Sobre amor próprio e o que fazer com ele. [J.C.S]



Eu me apaixonaria por mim mesmo caso eu visse alguém vestido como estou nessa foto, não pela roupa, mas pelo significado do que estou vestindo, minha própria cara. Olhar no espelho, colocar uma camiseta, uma calça, passar um tempo arrumando o cabelo e o sapato velho de todo dia, assim como essas coisas muito simples que faço praticamente todos os dias. Não é sobre o preço, ou sobre a marca ou a roupa. É olhar no espelho e se ver, vestindo e sentindo-se tão feliz e livre quanto estar nu olhando pra ele. Sou dessas pessoas que pra estar vestido olhando para o espelho antes já passou por um banho onde provavelmente dancei qualquer música que estava tocando enquanto me ensaboava ao som dela, talvez eu tenha cantado essa música como se fosse uma diva em seu show particular, cantando para uma multidão imaginaria que sempre adora meus shows durante o banho. Antes de me vestir eu sou tantas faces de mim. Faço o pirocoptero alguns dias e em outros dispo-me da toalha como uma dama tira seu vestido. E acho que hoje em dia eu tenho mostrado mais de mim mesmo, mesmo quando estou vestido, por entre a gente, gente que eu sei que olha pra mim, gente que eu estou vendo também, todos os dias nas obrigações diárias e outros na rua ou em um dos ônibus que pego para o trabalho. Não me importo com o que estão vestindo também. Porque eu prefiro olhar nos olhos e não na qualidade/beleza da roupa ou se é um uniforme parecido com o meu ou diferente. Eu tenho mostrado mais de mim mesmo também a essas pessoas todas que passam por mim. E por isso hoje eu me olho no espelho e me sinto feliz, porque eu tenho muito carinho pela pessoa ali dentro do espelho, e se eu olhar de perto, nas minhas conversas internas, os olhos daquela pessoa me dizem que essa pessoa tem muito carinho para dar .

Estamos em época de começo de ano e todas as pessoas com crenças religiosas ou não definem como “uma nova rodada” do tempo ou da vida. Preparam-se pra novos desafios diários, fazem desejos internos clamando ao deus que crê e fazendo promessas a si. Prometemos na maioria das vezes que seremos melhores. Mesmo com a rotina que nos esmaga. Nós podemos batalhar mais, rir mais e amar mais. Tentaremos fazer coisas novas ou mais das coisas boas que fizemos no passado. Vamos aprendendo como viver a cada dia e já sabemos disso, aprendemos que roupas não nos definem, que pele não nos define, quais bandeiras nos representam e sabemos que a realidade na maioria das vezes nos vem com demandas. Mas que não podemos esquecer que somos uma eterna descoberta de nós mesmos e que cada ser em volta ou acontecimento presente transforma o mundo e nós mesmos de maneiras diferentes, somos partes de uma engrenagem caótica do universo em expansão. Não somos tão responsáveis assim pelas nossas atitudes sendo que nos distraímos as vezes com coisas sem tanta importância. As vezes nos esquecemos da mensagem da Raposa no livro do Pequeno Príncipe: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. E que todas as pessoas, por uma simples questão de calendário em alguns dias próximo do final do ano se fazem promessas de serem melhores e que podemos ajudar. Podemos ajudar cada senhora que passa por nós subindo a rua de casa com um sorriso e um “bom dia”. As vezes só um sorriso mesmo depois de olhar alguém, olhar o que as pessoas vestiram se olhando no espelho ou não, construindo essa roupagem pra encarar a vida e mostrar mais da própria essência, reconhecer isso, olhar nos olhas da pessoa e a reconhecer como igual e digna do mesmo carinho que você dá a si mesmo.

Já parou pra pensar que tu nunca viu a própria cara, a não ser em fotos ou refletida em algum lugar? Você nunca pôde olhar nos seus olhos como as outras pessoas olhariam e a essência do que somos se mostra ali e em tudo que há em volta. Mostrando quem você é, suas cicatrizes, suas marcam de idade, ou espinhas, os adornos e o que escolherem pra vestir hoje. Qual cara mostrar? A melhor que tivermos! Tentando carregar nos olhos a felicidade de ser quem somos. Saber que é livre dentro do próprio corpo, esteja ele ou não nos padrões sociais, esteja ele com a roupa que for mais confortável ou com o que você acha que te dá um up no visual. Porque no fundo devemos ser aquela pessoa que de tão feliz canta junto com a música, que dá bom dia na rua, que sorri a desconhecidos, agindo de forma boba as vezes e dramática também, é mais gostoso quando a gente reconhece os próprios erros por exemplo e não tem medo de esconder, damos exemplos da nossa essência quando somos carinhosos com nós mesmo quando olhamos E pensamos “Eu errei. Tudo bem, tentarei ser melhor da próxima”. Eu gosto de tratar as pessoas com o carinho que eu gostaria que tivessem comigo. Eu acho que lá no fundo é isso que pode fazer da realidade algo mais feliz.

Porque podem nos ter colocado na cabeça que somos soldados lutando por liberdade, que tudo que queremos conquistar exige uma luta e que você perderá de alguma forma, que cada escolha é uma renúncia e que devemos revidar quando a vida nos colocar pra baixo, devemos lembrar que não é no final da vida que estaremos bem, é no caminho que as coisas acontecem. E ai o mundo pode te quebrar e chacoalhar isso só te fará mais forte caso continue mostrando do que você é feito. De ideais, de desejos, de crenças e que acredita que pode ser melhor a cada rodada da vida. Vamos nos fazer todos acreditar nisso e isso vai nos manter vivos. Que sejamos todas essas pessoas apaixonantes que querem se manter vivos, amando cada passo do caminho e que cada presente compartilhado possamos tratar as companhias dessa caminhada com o mesmo carinho que devemos olhar pra nós mesmo. Porque eu sou livre para amar e se a caminhada puder ser assim eu acredito que será melhor. Porque não é sobre o que juntamos pra nós, é sobre o que espalhamos, não é sobre ser melhor que o outro é sobre ser melhor que ontem.

sábado, 23 de novembro de 2019

Marcas que deixamos nas janelas. [E mudanças. E o que somos hoje].



Eu tenho o costume porco de não limpar janelas... Hoje, este que vos escreve, nesse relato que tem sido o blog, conta que nesse momento estou de partida de uma casa que tem essa janela na foto. 

Como podem observar caso queiram, ela está imunda, façamos as contas, estou aqui a 5 anos. Me lembro de lavar essa janela com a consciência de que sou uma louca paranoica algumas vezes, mas nenhuma delas foi a ponto de arriscar a minha vida lavando uma janela. [Você já me ouviu falar que eu sou uma louca paranoica nesse quarto?]. Então em minha defesa, ela estava quase sempre fechada. Eu abria geralmente quando recebia pessoas aqui, não foram muitas, mas algumas foram de fato importantes. Hoje olhando para a janela, com todos os moveis desmontados e tudo dentro de caixas, penso uma pouco no tanto de marcas que deixaram na minha “janela”. O tanto de vezes que falei nesse santuário que chamo de quarto. Quantas vezes me confessei nas paredes mais seguras do meu lar. Acompanhado algumas vezes de pessoas que pareciam se importar, a ponto de que eu as convidasse para retornar. Algumas confesso foram apenas pessoas, passando por um lugar muito importante pra mim. E que espero ter a qualquer uma das pessoas que partilharam esse quarto, dentro de todas as relações que eu construí, mostrar que, esse é um lugar importante pra mim. Me lembro de namorar inclusive quando cheguei a essa casa. Hoje não lembro nem como eu era. Mas vejo que tenho marcas na janela. E penso [porque acho que hoje sou mais assim.] em todas as pessoas que estiveram aqui. [a cada marca que você pode ter deixado na minha janela]. Eu penso em muitas pessoas. Mas todas essas pessoas que eu penso, sabem que muitas pessoas passaram por aqui.
A casa assim como eu, está sempre aberta aos amigos. E também aos amigos dos amigos. 

Assim como eu a casa recebia, outras moradas dentro de si mesma. E entendia que esse lugar deveria ser importante também para quem estivesse aqui. Não chamo de esforço essa vontade de quem vem aqui se sinta tão a vontade quanto eu. Porque de verdade. Se pensarmos no quarto como o lugar mais seguro da nossa existência onde a gente se sente a vontade pra deixar todo o dia e tudo que aconteceu nele pra relaxarmos. Nos sentindo seguros. Eu confesso que me comparo ao quarto. Pense que você que está lendo pode partilhar um momento que pode estar dentro da minha cabeça a ponto de eu lembrar de você, porque foi significativo pra mim, ou pra você. A ponto de hoje termos construído uma morada chamada amizade. A ponto de hoje olhar pra janela e pensar que você pode ter deixado uma marca nela. [e no que pode significar pra mim a frase “deixar uma marca na minha janela”.]. Pense que independente de onde eu more, o quarto tem muitos significados. Porque o importante não são as paredes que nos cercam. São todas as lembranças que serviram de aprendizado para construir o que sou hoje.

Levamos caros leitores todas as nossas experiências conosco. A cada dia que dormimos, acordamos outros. A cada momento da vida temos células morrendo e células sendo produzidas. A cada tempo que quisermos chamar de “presente” estamos morrendo um pouco e renascendo ao mesmo tempo. Mudamos a cada instante único. E a vida é a resultado de todo momento tempo que definimos que acabou, um passado. Pra falarmos um pouco no não existente futuro. Temos quase sempre a boa esperança de que as coisas não mudem, quando estão boas. Mas aprendemos com o tempo que não prestamos muita atenção no presente. Mas tornamos algumas coisas importantes, a ponto de compartilharmos. Enquanto mudamos, tudo que dividirmos, afeto ou conhecimento, mesmo que seja o presente forma aquilo que somos. E tentamos até prever o que seremos, mas o fato é que toda vez que nos sentimos seguros dentro do nosso quarto, dormimos e acordamos outros. Morremos e levamos nossas experiencias conosco esperando que as coisas boas continuem todos os dias.

Tive muitas mudanças dentro desse quarto, sozinho ou acompanhado, compartilhei muito de mim aos visitantes que tive. Espero ter feito aquele momento que tivemos nesse quarto importante, ou espero ter feito desse momento tão importante pra mim a ponto de relatar no blog. [Aqui eu meio que transbordo minhas mudanças, pra poder pensar melhor nelas depois. E meio que conecta algumas pessoas que eu gosto muito.].

Penso um pouco no quanto eu mudei e aprendi olhando pra janela do meu quarto hoje, penso em pessoas, penso em músicas, penso em garrafas que esvaziam, em cafés que esfriam e cigarros apagando. Penso que fiz desse quarto um refúgio pra mim e para aqueles que compartilhei desse espaço. Tento pensar com carinho em todos vocês, por que se tem algo que aprendi nesses anos que moro aqui nessa casa é que devemos todos pensar com mais carinho nos momentos que tivemos, nas pessoas que conhecemos, nas relações que construímos e naquelas que só fazem parte daquilo que você é hoje. Sei lá se devo falar em amor, mas se tem uma marca que deixaram na minha janela é que devemos nos tratar com mais carinho. Pra transformar a vida num lar. Que independente do fim ou do tempo ainda possa ser uma lembrança que você possa pensar com carinho. Hoje paro um pouquinho pra pensar no que vou deixar nessa casa, mas me alegro muito no que aprendi e naquilo que quero manter, pra criar novas lembranças no meu novo lar, pra criar novas mudanças no meu novo lar. Porque ai talvez eu seja a louca paranoica que olha pra porra da janela imunda do quarto e pensa em pessoas muito importantes que pareciam se importar. Ai eu vejo que hoje eu tenho mais carinho por essa pessoa que sou e espero que você que tenha deixado uma marca nessa janela também possa compartilhar dessa mudança. E espero que possa pensar em você mesmo com mais carinho. Espero me tornar cada vez mais a pessoa que acha fofa uma janela suja. E espero criar mais marcas em janelas.

Basileia 509

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Escolha melhor as suas batalhas. [Sobrevivência não é uma competição.]



Recentemente eu ando pensando muito na loucura, aquela de verdade mesmo, que impõe o caos da nossa mente e nos faz ser diferente do que somos ou gostaríamos de ser. Lembro da minha bisa espanhola com 91 anos e um sotaque forte assim como a família que esta mulher criou. Meu avô hoje está se esquecendo aos poucos de coisas importantes, as vezes se esquece de coisas pequenas... aos poucos, todos nós que tentamos a cada dia, não matar nossa esperança de um dia melhor, acabamos cansados demais e começamos a acostumar ser outra pessoa, estamos esquecendo de nós e isso vem com a idade.
Somos pessoas diferentes e tudo o que falamos ou sentimos está ligado a algo, a natureza caótica e inerente a realidade nos faz pensar que quando estamos sozinhos estamos seguros e por isso talvez tanta gente resolveu falar de coisas tão importantes sem parar pra pensar tanto nessas coisas. Pisamos na terra mas não a sentimos. Temos feito isso com nosso eu interno. Eu quando ando pela rua finjo ser quem eu sou quando estou sozinho tomando meu banho. Todas essas personalidades que criamos quando estamos sozinhos, todos esses eus dentro das nossas cabeças são partes importantes da nossa personalidade que tentamos extinguir aos poucos para nos sentirmos mais pertencentes a esse mundo de merda que todo mundo reclama.

Filósofos antigos deram a resposta. Devemos nos tornar quem somos porque um dia inevitavelmente deixaremos de ser. Nem precisamos morrer pra isso, aos vinte e poucos já tem gente cansada demais. Nas diferenças entre todos nós, eu me pego pensando por exemplo que homens e mulheres tomam banho de um jeito diferente, a agua escorre diferente pelos corpos despadronizados e parece algo banal eu pensar no movimento de cabeça de outras pessoas durante o banho, mas nossa sociedade já decidiu banalizar o próprio mal de uma forma que me incomoda, a ponto de pensar que poucos homens que eu conheço lavam o próprio cu com a mesma energia que limpam o umbigo por um medo babaca de se tocar em alguns pontos do próprio eu.

Minha bisa aos 91 anos já não lembrava direito onde morava e meu vô hoje não tem certeza se já conheceu todos os netos, eu... Eu que já não sou hoje o homem que era ontem, no mesmo dia me olho no espelho e me sinto mulher, horas o sexo frágil, horas um mulherão da porra. Num geral, eu estou fingindo o tempo todo que o mundo não é tão ruim, que não tem geladeiras cheias de água apenas, que a pessoa me olhando estranho com meu batom vermelho e barba laranja na esquina de casa talvez não entenda muito sobre fluidez de gênero ou outras coisas assim, mas mesmo assim essa pessoa queira mudar o mundo pra melhor e para todos. Talvez ele não pense na banalização do mal, talvez ele não tenha alguém que ama muito deixando de ser quem é dia a dia, talvez ele só não perceba isso, talvez ele não esteja bem pra pensar nisso hoje. Tudo bem, cada um leva seu tempo e luta suas lutas internas. Que um dia a gente consiga conversar de verdade e tentar entender melhor as pessoas. Afinal, não é possível que só as vozes na minha cabeça concordem comigo. Enquanto eu continuo andando pela rua com meu batom vermelho e minha barba laranja, na tentativa ingênua de reafirmar ou demonstrar o que sou. Eu sigo deixando de ser e tentando lembrar quem eu sou. 

Escolha melhor as suas batalhas, sobrevivência não é uma competição.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

As arvores somos nos [Porque amizade é um amor que basta em si mesmo]



Quando a gente se reúne com amigos, daqueles que pensam como a gente, que são parecidos e que a gente tem tanta coisa pra conversar. Quando a gente se une porque se faz bem e reserva uma parte de um tempo para estar junto porque se faz bem e passa muito tempo, ou todo o tempo que pode ou um bom tempo quando pode com esses amigos, você vai tendo muitas conversas e descobrindo que mesmo amigos, mesmo fazendo bem um ao outro, mesmo sendo tão parecidos, mesmo assim ainda são tão diferentes. Quando você vai conhecendo alguém você descobre coisas dela que você não viveu, sabe de medos, traumas, família, romances, a falta de romances... Vai vendo como a pessoa se comporta perante as situações que ela te conta e que você não estava lá. E se mesmo vendo que a pessoa age de forma diferente da que você agiria você gosta do jeito diferente dela ser, você percebe que gosta dessa pessoa e que quer passar mais tempo com ela. Porque ela é boa para você, porque ela te faz bem, porque ela te ouve. Porque mesmo demorando 6horas pra responder uma mensagem, ela responde. E quando responde você meio que gosta da resposta. E se a demora pra responder foi algo importante, você conversam sobre o porquê da demora, se entendem e voltam a falar sobre o que realmente importa. Como você tá hoje? Talvez seja uma maneira de recomeçar.

Talvez você tenha pensado nas ultimas linhas sobre um relacionamento amoroso, mas saiba que não era a intenção. Eu passo e passei por situação assim com várias rodas de amigos que a gente senta pra conversar. Uma das coisas que crescem em meio as coisas que fazem bem é amizade. Porque ela é uma das mais verdadeiras expressões de amor. Talvez você não namore, mas tenha um amigo pra mandar mensagem as 3horas da manhã caso algo te preocupe. Talvez nada te preocupa tanto porque você sabe que tem amigos que podem lhe fazer mais bem que o problema que te preocupa possa fazer mal. Talvez quando disseram: “já que não ama, faça como se amasse” estavam falando em relação a convivência “faça como se fizesse para um amigo” ou “ama como a ti mesmo”.

É interessante que numa conversa de madrugada com um amigo possa te fazer reflexionar sobre o livre arbítrio e o estado natural do ser humano construindo aos poucos normas mais amorosas de se conviver, mesmo falando sobre um jogo de tiro do velho oeste americano. É bom ter gente pra conversar, a gente cresce tanto quando partilha nossas inteligências, a gente muda tanto quando entende as diferenças. Temos que dar mais valor as relações que construímos, elas vão se tornar algo no futuro que não nos pertence. Eu não sinto falta de alguém na minha vida, porque eu tenho a mim mesmo amado como sou por mim mesmo e isso fica claro a todas as pessoas que chegam a ponto de irmos nos descobrindo, nos amando de várias formas e construindo um futuro que quando a gente olha pra trás vê que ele chegou e a caminhada foi leve como a vida tem que ser.

É tipo aquela coisa sobre cuidar do jardim que as borboletas vem. Antes disso temos que ver na verdade que em todas as nossas esquisitices somos arvores frutíferas que andam por ai sozinhas no grande quintal que é o mundo e se resolvermos fincar raízes em alguns lugares vai ser ótimo, mas temos que olhar o belo caminho que deixamos e as sementes que cresceram e onde cresceram, não tem mal nenhum em retirar algumas ervas daninhas e em reservar algumas sementes suas para terrenos mais férteis, mas temos que saber que estas sementes que carregamos de nós mesmos é a forma de permanecermos na existência do mundo. É necessário plantar, mesmo que não se pretenda colher. O mundo precisa de mais arvores como nós, o mundo precisa reconhecer mais a beleza estanha que trago em mim.

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